segunda-feira, 9 de junho de 2014

Howard Becker e a Escola de Chicago

     

      Howard Becker (18 de abril de 1928) é um sociólogo americano que fez grandes contribuições à sociologia do desvio, sociologia da arte e da música, mas que também tem um extenso trabalho sobre estilo de escrita e metodologia sociológica. É professor de Sociologia da Universidade de Washington, Seattle, EUA, e autor de extensa e influente obra. Dentre seus inúmeros livros destacam-se: Outsiders: Studies in the Sociology of Deviance (1973) e Art Worlds (1982). Em português, foram publicados: Uma Teoria da Ação Coletiva (1977) e Métodos de Pesquisa em Ciências Sociais (1993).
     Remanescente da Escola de Chicago, Becker defende que a história da sociologia não é a história da grande teoria, mas a dos grandes trabalhos de pesquisa e dos grandes estudos sobre a sociedade. Faz desta forma, duas distinções, afirmando que de um lado, existem as chamadas Escolas de Pensamento e, de outro, as escolas de atividade. A primeira, é quando as pessoas fazem a mesma coisa, pensam da mesma maneira e possuem ideias semelhantes, enquanto que a Escola de Atividade consiste em um grupo de pessoas que trabalham em conjunto, não sendo necessário que os membros compartilhem a mesma teoria; eles apenas têm de estar dispostos a trabalhar juntos. Assim, conclui que certas ideias vigentes na Universidade de Chicago eram compartilhadas pela maioria das pessoas, mas não por todas.
     Na contramão da época, a qual havia um aspecto típico das pesquisas era a confecção de mapas, onde se situavam os diferentes tipos de população, grupos étnicos, raças, espécies de atividades, a escola de Chicago e Becker são marcados por um estilo que não era puramente qualitativo ou quantitativo, mas que tinha como principal característica o Interacionismo Simbólico, que tem como unidade básica de estudo a interação social, ou seja, pessoas que se reúnem para fazer coisas em comum. Portanto, o interesse eram os modos de interação, especialmente as interações repetitivas das pessoas, modos estes que permanecem os mesmos dia após dia:

‘’ Nós éramos muito mais ecléticos em relação a métodos do que as pessoas que conhecíamos e que estavam em outras instituições. Assim, achávamos que era preciso fazer entrevistas, coletar dados estatísticos, ir atrás de dados históricos. Não havia nada demais nisso, tudo isso me parece puro bom senso, mas muitas pessoas tinham uma espécie de apego religioso a métodos de pesquisa. ’’

     Segundo Becker, outro fato importante é que, terminada a Segunda Guerra Mundial, a Escola de Chicago, de certo modo, deixou Chicago. Nesse sentido, a Escola tornou-se uma espécie de perspectiva ou opinião global. Ela é um modo de pensar, uma maneira de abordar problemas de pesquisa que estão muito vivos e presentes em boa parte do trabalho feito hoje em dia.

Abaixo, segue na íntegra a conferência que Howard Becker realizou em abril de 1990 no Programa de Pós-graduação em Antropologia Social (Museu Nacional, UFRJ), sobre a história da Escola de Chicago de sociologia, publicada pela revista Mana:

Conferência Howard Becker